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Colaboradora da Funap administra loja com produtos de reeducandas




Maria Sônia Correa de Paula é daquelas mulheres que não gostam de revelar a idade. Vaidosa, chega para trabalhar vestindo modelitos impecáveis, geralmente adornados com colares, brincos e anéis, e vai embora tão elegante como chegou. E faz exatamente isso há, pelo menos, 37 anos.

Ela é uma das colaboradoras mais antigas da Fundação "Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel", a Funap, que considera mais que sua segunda casa. "Entrei para ser datilógrafa. Isso em 1982. Passei por praticamente todos os setores, até ser convidada, anos atrás, para tomar conta da loja. E estou aqui até hoje".

A loja a que Maria Sônia se refere está localizada no mesmo prédio da Fundação, na rua Libero Badaró, 600, no centro de São Paulo, próximo à estação São Bento. Fica no primeiro andar, em um espaço à direita do hall de entrada, e foi projetada para expor e comercializar produtos confeccionados por reeducandas do sistema prisional, em fábricas administradas pela Funap.

Conforme explica a colaboradora, são inúmeros os produtos colocados à venda, por preços bem acessíveis e de bastante qualidade. "Temos panos de prato, almofadas, bolsas, calças jeans, jogos de avental, bichinhos de pelúcia, tapetes, caixinhas decorativas, entre outros. São produtos muito bem feitos, já que todas as oficinas da Funap, além de modernas, têm um alto padrão de qualidade", explica.

Maria Sônia coordena ainda duas reeducandas que cumprem atualmente condenação em regime semiaberto. Diz já ter passado pela loja, desde que a administra, cerca de 30 sentenciadas, que ajudam na arrumação e atendimento à clientela, retornando à Penitenciária do Butantã para dormir ao final da jornada diária.

Por seu jeito dócil e respeitoso no trato, a colaboradora ganhou a confiança e o carinho das reeducandas, que a consideram uma verdadeira "mãezona". "Ela nos mostra que somos capazes de fazer a coisa certa", afirma uma delas, de 30 anos, que deve ganhar a liberdade definitiva ainda neste ano.

Sobre eventuais problemas com auxiliares que passaram pela loja, Maria Sônia garante que o trabalho sempre transcorreu de maneira harmoniosa. "Há um preconceito contra as detentas, que têm fama de violentas, mas muitas delas se comprometem a fazer a coisa certa para não errar mais. Na loja, tudo sempre ocorreu de maneira bastante tranquila e honesta", salienta.

Após tantos anos de casa, a colaborada não se vê suspeita ao rasgar elogios à Funap. "É um trabalho social maravilhoso, que permite ensinar algo ao reeducando que ele possa usar profissionalmente quando deixar o sistema prisional. Dependerá somente dele", opina.

Ela também convida o público em geral a conhecer a loja da Funap, que está aberta de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h. "Todos estão convidados. A visita valerá a pena", finaliza.