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Ex-reeducando na Funap tem história de superação




Adepto da máxima de que "as noites mais escuras produzem as estrelas mais brilhantes", Antonio Cesar dos Santos, de 58 anos, não imaginava o que o destino lhe reservava ao decidir vir a São Paulo, em 1995, tentar ganhar a vida. Com a esposa, o gaúcho de Porto Alegre ansiava pela estabilidade financeira e deu o primeiro passo na capital paulista trabalhando na oficina mecânica de um conterrâneo.

Chegou a ser sócio do estabelecimento, mas um obstáculo interrompeu seu sonho. Sem antecedentes criminais, acabou preso em 2009 por tráfico drogas. Tinha, de fato, culpa. Principalmente por tentar correr em um caminho pelo qual só podia andar.

O crime resultou em condenação severa. Foi colocado atrás das grades e perdeu, dois anos depois, a esposa, que não suportou sua nova situação e foi embora, da mesma forma que a liberdade do marido, deixado à sorte de alguns desconhecidos, também apenados pela Justiça, em uma cela fria de presídio.

 

A esperança e a Funap

Como diversos condenados recém-chegados ao sistema prisional, Santos desconhecia que, caso quisesse, poderia se ocupar, produzindo materiais com destinação social e ainda receber salário por isso, além de ter parte da pena remida.

A possibilidade veio como um sopro de esperança. Com o tempo, tornou-se confiança inquebrantável que marcou, daí por diante, seu relacionamento com a instituição que lhe permitiu novamente sonhar: a Funap.

Mantida pelo Governo do Estado de São Paulo, a Fundação "Professor Dr. Manoel Pedro Pimentel (Funap) administra, sem fins lucrativos, oficinas em dezenas de unidades prisionais, empregando mão de obra de reeducandos na fabricação e reforma de cadeiras e cadeiras escolares, móveis de escritórios e confecção de roupas para detentos e agentes de segurança.

Possibilita ainda a contratação por entes públicos e privados de tal mão de obra, barateando o custo do empregado às empresas, que ajudam na manutenção das oficinas e cursos dados pela Funap e reinserção do reeducando à sociedade.

 

Seguindo em frente

Trabalhando dentro dos muros da unidade prisional durante o regime fechado e fora deles, ao conseguir progredir ao regime semiaberto, Santos passou aproximadamente seis anos aprendendo os mais variados trabalhos disponibilizados pelo Funap.

Sobre isso, conta: "Sempre fui muito curioso. Tanto que, quando vim trabalhar na oficina em que me tornei sócio, não tinha conhecimento nenhum do serviço, que era alinhamento técnico. Já na Funap, quando aparecia algo diferente para fazer, eu me propunha a tentar. Quando tinha a oportunidade, fazia."

Os anos de aprendizado em serralheria o tornaram referência atualmente na montagem de armarinhos e móveis para exposição de roupas na região do Brás, tradicional bairro paulistano com foco no comércio de vestuários em geral.

Mas ele não parou aí. "Além de serralheria, aprendi na Funap sobre elétrica, torno, fresa, a ler desenhos mecânicos. Tudo isso meu ajudou muito, tanto que consegui construir algumas das máquinas que uso hoje em meu comércio", diz.

 

Comerciante

Não demorou para que Santos abrisse seu próprio negócio ao receber a liberdade definitiva, em setembro do ano passado. Com o conhecimento adquirido das oficinas da Funap e planos para quando saísse, locou um pequeno salão em Itaquera, na região leste, onde também reside, e construiu duas máquinas que lhe servem para o que propôs fazer: estampar e cortar tecidos.

Com a montagem dos armarinhos e móveis de exposição de roupas, ele complementa sua renda e curte ao mesmo tempo a liberdade, agora como comerciante com potencial para o sucesso.

"Se o preso realmente tiver o interesse, ele aprende. Quem pretende usar o tempo para fazer algo de útil à sociedade, receber por isso e ainda conseguir remição da pena, as oportunidades na Funap são muitas", finaliza.